Então a casa já está arrumada…

Photo by engin akyurt on Unsplash

Eu gosto de acreditar que sou bem organizado. Sou dono de um metodismo que deixaria muita gente louca. Não posso passar pela minha cozinha e ver algo na pia (sujo ou secando) que já tenho que dar um jeito de tirar de lá. Se estou num espaço da casa, não precisa ter luz acesa em outro. Por que deixar a chave do ar condicionado ligada durante o inverno? Afinal de contas, o pufe da sala fica no canto ou no meio do tapete?

Me mudei recentemente e uma das primeiras coisas que eu e meu colega de apartamento nos acertamos foi na organização. Cada um é responsável pela bagunça que faz nas áreas comuns e já que cada qual tem seu quarto e seu banheiro, que o mantenham como bem entenderem, desde que mantendo a higiene geral da casa. Mas organização não é só sobre limpeza. É sobre a disposição dos itens decorativos e utilitários na escrivaninha de trabalho, sobre a posição dos cabides na arara, os quadros pendurados na parede, o espaço do filtro de água na bancada, a tampa de prato do micro-ondas pra evitar sujeira, o pano da pia, a chave no ganchinho ao lado da porta, o chinelo posto ao lado da cama, os carregadores e cabos na caixinha organizadora, o protetor de copos embaixo da garrafa d’água na madeira da mesa, a jogo americano, a disposição do shampoo e condicionador, a lista não tem fim.

Essa organização toda caminha lado a lado com minha tendência de uma década ao minimalismo. Começou com aquele movimento minimalista que dizia que 3 peças de roupa e ter sua vida numa mala de viagem de tamanho médio é suficiente. Depois surgiu a era Marie Kondo, que agora se tornou o meme Marie Kondo. Hoje entende-se por minimalismo não a quantidade de coisas que se tem, mas sim ter o essencial, daquilo que é útil (pra mim, entre outros, uma garrafa d’água, camisas que podem ser lavadas numa única ida à lavanderia, não mais do que duas canetas) e ao que é identitário (meu disco do U2 War, um boneco do Batman de 10 centímetros de altura, o canivete da Vitorinox que meu pai me deu). Ser capaz de saber tudo o que se tem, onde está guardado e como e quando usar.

A GQ tem um excelente seguimento no YouTube chamado 10 Essentials, onde eles convidam celebridades de todos os espectros da indústria do entretenimento para apresentar 10 itens inusitados que eles não podem viver sem. Esse é um jogo que me agrada jogar de tempos em tempos. Dos 10 itens, eu tenho uns 15 que ficam se alternando, mas num geral é bem simples: da jaqueta leve (tenho uma jeans, uma preta e uma branca) ao chinelo de dedo (são 4 pares distintos), fazer a lista desses 10 essenciais me ajuda a perceber o quanto nosso estilo de vida está ligado a objetos que necessitamos, seja para o que for. Pode ser que você não viva sem um livro na bolsa (ou Kindle para os mais moderninhos), precise absolutamente de um barbeador elétrico ou protetor labial, há aqueles que não vivem sem um bom incensário ou se sentem completamente nus sem um colar ou pulseira. Há os mais exóticos que precisam de um Zippo de plasma pra chamar de martelo do Thor (meu melhor amigo), ou os simplistas da Geração Z, que só veem real necessidade em seu computador (o garoto do quarto vizinho). Seja como for, conhecer os itens que te fazem ser quem você é pode ser tanto libertador quanto um exercício de perdão. É muito mais fácil se perdoar por colecionar selos quando você entende a real importância que eles tem na sua vida.

Eu me considero um cara bem organizado. Eu tenho um inventário de tudo o que tenho em casa, seja o que trouxe na mudança ou o que comprei quando mudei, e tudo o que decidi não trazer deixei para doação ou descartei. Sei onde encontrar todas as coisas e consigo me perdoar quando preciso deixar algo levemente bagunçado (geralmente a vasilha dos biscoitos que comi antes de dormir que ficam fora do lugar até a manhã seguinte). Talvez eu seja metódico e organizado até demais, mas o que mais eu posso fazer, é o capricorniano bronzeado que vive em mim que não me deixa perder o juízo e a noção. Quer você seja um louco por arrumação como eu ou um ser capaz de conviver em meio ao caos da desordem feliz, o importante é compreender que todo estilo de vida vale, desde que te faça bem sem ferir a integridade e o espaço do outro (falei como alguém que mora numa casa com 6 estudantes universitários desordeiros, mas na real, Guto e eu demos sorte de sermos os dois organizados ao limite).

Mas me conta, quais são seus 10 itens essenciais?

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